biografia

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– Tietê, 13 de setembro de 1949 — São Paulo, 12 de junho de 2003 –
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Itamar de Assumpção nasceu em Tietê (interior de São Paulo) no dia 13 de setembro de 1949. Bisneto de escravos angolanos, cresceu ouvindo os batuques do terreiro de candomblé no quintal de sua casa. Cresceu em Arapongas, no Paraná, onde se mudou aos 12 anos. Chegou a cursar até o segundo ano de Contabilidade, mas abandonou a faculdade para fazer teatro e shows em Londrina.
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Aprendeu a tocar violão sozinho e, ouvindo Jimi Hendrix e arranjos de baixo e bateria, apaixonou-se pelo baixo. Mudou-se para São Paulo em 1973 para se dedicar à música. Começou a se apresentar em shows no final da década de 70, na Lira Paulistana em São Paulo. Teve forte presença na vanguarda paulista ao lado do amigo Arrigo Barnabé, da banda Sabor de Veneno, Premeditando o Breque e Grupo Rumo. Foi influenciado pelos trabalhos de músicos de variados gêneros, como Adoniran Barbosa, Cartola, Jimi Hendrix e Miles Davis, além de poetas como Paulo Leminski e Alice Ruiz. Conhecido como “maldito da MPB”, o músico misturou samba com rock e funk, entre outros ritmos, em letras impregnadas de sátira e crítica social.
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Seus três primeiros LPs, todos independentes (Beleléu leléu eu, 1980; As Próprias Custas S.A., 1983; Sampa Midnight, 1986), foram relançados em CD pela Baratos Afins em 1994. Seu único LP produzido por uma grande gravadora e da Continental, intitulado Intercontinental! Quem diria! Era só o que faltava, de 1988. Todos com a Banda Isca de Polícia. Em 1994 lançou a série Bicho de Sete Cabeças (três LPs também na forma de dois CDs), acompanhado pela banda Orquídeas do Brasil. Em 1995 lançou um CD com músicas de Ataulfo Alves , novamente com a Isca de Polícia, que foi premiado como melhor do ano pela APCA.
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Vanguarda Paulista
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Itamar Assumpção foi um dos grandes nomes e contribuidores da cena alternativa que dominou São Paulo nos anos 70-80 do século XX, movimento que convencionou-se chamar de Vanguarda Paulista.
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A Vanguarda Paulista reuniu artistas que decidiram romper o controle das gravadoras sobre a produção e lançamento de novos talentos nos anos finais da Época das Trevas Modernas – anos anteriores a Internet. Os representantes desse movimento eram artistas que produziam e lançavam seus trabalhos independentemente das grandes gravadoras, eram os – hoje pecas de museu – LPs. Criavam suas próprias micro-empresas e gerenciavam a si mesmos.
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Itamar Assumpção era nome frequente na lista de shows do Teatro Lira Paulistana em Pinheiros, palco que foi denominador comum a todos os membros da Vanguarda Paulista – todos os representantes do movimento invariavelmente por ali passaram.  “Quem não cantou no Lira, não Sonhou”  já disse o poeta da Vanguarda Paulista, J’Cor (Le Dantas & Cordeiro).
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Itamar Assumpcão, ao lado de Arrigo Barnabé, Grupo Rumo, Premê (Premeditando o Breque), dos Pracianos – Dari Luzio, Pedro Lua, Paulo Barroso, Le Dantas & Cordeiro e outros, marcou sua obra basicamente por não ter tido interferência dos burocratas das gravadoras, o que fez com que sua obra fosse tida por tais “gerentes” e críticos de cultura rasa, como “difícil”. Esses artistas, pela rebeldia, ousadia e audácia ganharam a alcunha de “Malditos”. Itamar detestava tal rotulo e retrucava.
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A polêmica era outra área na qual dava-se bem, talentoso que era com as palavras não só no âmbito poético. O duelo verbal lhe apetecia como forma honesta de defender a integridade do artista assim como – ao observador atento assim parecia – dava-lhe prazer triturar argumentos dos que com cultura limitada tentavam dirigir o processo de criação do artista. Em uma de suas tiradas mais famosas disse: “Se tivesse que ouvir conselho, pediria ao Hermeto Pascoal” ou então: “Eu sou artista popular!”, bradava indignado.
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Entre suas canções mais conhecidas estão Fico Louco, Parece que bebe, Beijo na Boca, Sutil, Milágrimas, Vida de Artista, Dor Elegante e Estropício.
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Faleceu em 12 de junho de 2003, aos 53 anos vítima de câncer de intestino.
 
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sampa midnight/isso não vai ficar assim
medelírio – cavalo onírico – 25/01/2012
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Chegou por aqui na década de 70, apaixonado por música e cheio de idéias fervilhando em uma mente inquieta e afiada. Disse “tentei fazer um bolero, tentei moda de viola, tentei desvendar mistérios, tentei dominar a bola” mas o que conseguiu foi ir muito além, fez sua própria música, com estética única, sincera, em sintonia com sua postura de ser.
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Itamar não se considerava artista virtuoso, dizia-se artista popular brasileiro, cantava questionamentos de todos nós, presente em qualquer um que vive (quem não vive tem medo da morte). Itamar conseguia fazer da música uma poesia, em diálogo com a poesia das letras, um capítulo a parte nas composições de Itamar.
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Crítico socio-econômico-cultural ferrenho, apaixonado pela vida, pelas mulheres, pela arte, cantava a beleza, a dor e o sonho. Itamar foi um dos principais na cena da tal Vanguarda Paulista que correu gelada na espinha das gravadoras e produtoras, amplificando o movimento independente ainda morno naquela época. Sampa Midnight/Isso não vai ficar assim é o terceiro disco lançado pelo músico, acompanhado da banda Isca de Polícia, e que banda! Gigante Brasil, Bocato, LePetit e outros formando um som diferente, fato, e brilhante. Minimalista, percussional, espontâneo, honesto, inovador, apaixonado. O som de Itamar Assumpção e Isca de Polícia conquista aquele que conseguir sintonizar a frequência peculiar do disco.
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leia mais aqui: cavalo onírico
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itamar assumpção
leandro valquer – revista raça brasil – 05/04/2011
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Experimentalista nato, Itamar criou uma estética muito própria e, ao mesmo tempo universal. Afirmava que se alguém quisesse fazer música brasileira nova teria de, necessariamente, beber na música dele e na de Arrigo Barnabé.

Manteve até o fim sua atitude iconoclasta, transbordando sarcasmo, crítica social e, sobretudo, humor, muito humor. Ele dizia: “Sou um revolucionário!”.

Itamar questionava constantemente o conceito suspeito de sucesso que os meios de comunicação andam por aí difundindo em relação à arte efêmera que se consome em massa. “Quando a gente assina um contrato com a gravadora, perde a autonomia da obra e eu não vejo sentido em continuar com esse sistema” ou “Alguns dizem que fazem sucesso, mas eu pergunto: isso é sucesso? Que arte é essa? Meu público não entra nessa, sou fiel ao que acredito e ninguém me tira do meu caminho.”

Itamar Assumpção soube como ninguém temperar sua música com os mais variados gêneros da música negra, sem anular suas impressões digitais e ao mesmo tempo criando uma musicalidade nova, muito própria e regional.

leia mais aqui:  itamar assumpção
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itamar assumpção (1949 – 2003)
angélica freitas e ricardo domeneck – modo de usar & co – 21/06/2008
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Ativo desde o fim da década de 70, é um dos nomes mais importantes do grupo que ficou conhecido como Vanguarda Paulista, também chamado de Lira Paulistana, nome do teatro onde muitos deles se apresentaram entre 1979 e 1985.

Foi um dos mais criativos e populares poetas brasileiros trabalhando na fronteira das linhagens trovadoresca e experimental no fim-do-século.

Itamar Assumpção morreu (cedo demais) na cidade de São Paulo, em 2003. Mas sua poesia lírica fica, e outros trovadores ainda estão entre nós.

leia mais aqui: modo de usar

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